Tinha seus 14 anos de idade. Era paciente de uma faculdade de Odontologia no interior de São Paulo. Durante uma consulta, os alunos orientados pelo professor planejaram fazer uma coroa de porcelana no dente 36 (primeiro molar inferior esquerdo), que se apresentava parcialmente destruído. Como os alunos e a faculdade estavam prestes a entrar de férias, explicaram para o paciente que assim que voltassem, iriam continuar o tratamento e fazer a coroa de porcelana planejada. O paciente e a mãe, concordaram. Após uma restauração provisória, os alunos liberaram o paciente e agendaram a próxima consulta para a volta das férias.
Alguns dias depois, em casa, o garoto resolve comer um pedaço de pão duro e a restauração provisória se soltou. A mãe, correu com seu filho à faculdade e encontrou os portões fechados devido as férias. Então, se lembrou do posto de saúde do bairro. Lá foi atendido por uma dentista a qual fez uma nova restauração provisória e explicou que o material por ela utilizado era inferior e que ele deveria tomar cuidado ao mastigar. O garoto e a mãe não ouviram as instruções e foram embora.
No dia seguinte, depois de comer (dessa vez comeu algo mais duro, tipo… gelatina) percebeu que a restauração não estava mais lá. Reclamou com sua mãe que retornou ao postinho indignada. Pediu, ou melhor, ordenou a dentista que extraísse aquele dente. Mesmo com todas as explicações da dentista, que dizia que o dente não tinha indicação para extração, que poderia ser feito uma coroa de porcelana, enfatizando o que os alunos da faculdade já tinham dito. A mãe insistiu na extração.
Infelizmente a dentista não tomou o devido cuidado, fazendo uma declaração de responsabilidade para a mãe assinar. E quando a faculdade retornou suas atividades, o garoto apareceu acompanhado de sua mãe na consulta marcada. Os alunos prontos e ansiosos para iniciarem o plano de tratamento, levaram um susto : “Cadê o dente? Sumiu?” Constataram que o dente fora extraído. Chamaram imediatamente o professor que gritou, em alto e bom som : “Isto é CRIME!!!!!!!”. A mãe não conseguia ouvir outra coisa senão a palavra “CRIME”. Chegando em casa, contou ao marido, que contou para seu chefe no trabalho. A palavra “CRIME” ecoava, dentro de suas cabeças. E o chefe, mais que depressa, os orientou a contratar um advogado e processar a dentista.
Esta história é verídica. E foi citada por um professor perito do CFO.